Querida Mãe: Obrigada

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Quando era pequena, só existias tu: Mamã! Mamã! Mamaaaaaaaaaaaaaã! Imagino que fosse maravilhoso seres tudo para mim mas ao mesmo tempo esgotante. De onde vinha toda a tua energia?

Obrigada por estares sempre alegre e pronta para brincar comigo durante o dia e para me levares para a tua cama sempre que acordava por algum motivo. Quando chegava a casa ensopada depois de ter brincado à chuva e em poças, estavas sempre à minha espera com um banho quente, a rir como se tivesses sido tu a brincar lá fora.

Obrigada por me teres deixado disfarçar do que quisesse  –  princesa, bruxa, abóbora – fazendo tudo por tudo para que a minha máscara ficasse pronta a tempo.

Obrigada por me deixares ser o centro da tua vida quando era pequena e por ao mesmo tempo me teres ensinado a viver a minha própria vida.

Obrigada pelo bom exemplo que sempre foste para mim e pelos valores que me ensinaste, o teu amor pela natureza fez com que eu percebesse que estou rodeada de uma beleza extraordinária que devo cuidar e proteger. Também me ensinaste a tolerância para com aqueles que são diferentes de nós, porque “cada flor é diferente e isso é o que torna o jardim mais belo”. Ensinaste-me a partilhar, independentemente de ser pouco ou muito, e a ajudar aqueles que nos rodeiam.

Obrigada por me ensinares que o meu trabalho não define quem eu sou e que aquilo que me torna única é o mais importante quando me olho no espelho.

Fui crescendo e a nossa relação também. Ensinaste-me a ser elegante como as princesas, caminhando numa linha reta com um livro na cabeça. Ensinaste-me a ser estilosa: “as mangas largas favorecem”, “o decote barco é muito chique”… E quando eu aparecia de calças de ganga velhas e rasgadas, tu sabias que eu tinha de experimentar o meu lado rebelde para encontrar o meu próprio estilo.

Obrigada pela tua paciência durante a minha adolescência: “Mãe, vais comer essa bolacha? Não estás a tentar emagrecer? É melhor ser eu a comê-la”…

Obrigada por me encorajares a tentar de novo depois de falhar: uma, duas, mil vezes! Quando caí de patins e quando chumbei nos testes, sem nenhuma dúvida tu viste o meu potencial bem antes de me ver florescer. Viste as minhas capacidades, as minhas forças e qualidades quando eu mesma ainda não as conhecia.

Obrigada por me ensinares que não existe uma “cara metade”, que eu já sou completa! Obrigada por confiares em mim no momento de escolher os namorados, ainda que por vezes soubesses que era um erro antes de eu o descobrir.

Inspiraste-me a ter a coragem suficiente para enfrentar novos desafios e para ir contra a corrente. Ficaste sempre feliz com os meus triunfos naquilo que queria fazer, mesmo que não fosse no que escolherias por mim. Inspiraste-me a colher dos momentos difíceis a oportunidade de crescer e de melhorar. Ensinaste-me que tudo tem solução e que se não a encontrar devo continuar adiante com paciência até conseguir encontrar uma.

Obrigada pelos teus conselhos e por partilhares comigo a tua experiência. Como qualquer Mãe, desejaste que eu não cometesse os mesmos erros do que tu para me poupares o sofrimento e, ainda assim, deste-me liberdade para os cometer e para aprender com eles, tal como tu.

Obrigada por seres sempre o meu porto de abrigo, posso ir ter contigo nos meus momentos mais felizes e nos mais tristes sem ter de dar explicações.

Obrigada, Mãe, porque não me escolheste.

Obrigada, Mãe, pelo teu amor incondicional.